Publicado em:

Introdução ao Bibtex

O Latex é um sistema para a elaboração de documentos muito usado por estudantes ao redor do mundo para a criação de textos acadêmicos. Sua fama se deve ao fato de que é possível produzir textos com alta qualidade de tipografia com praticamente qualquer tipo de caracter, como os símbolos das fórmulas matemáticas, os símbolos da lógica, além de vários outros. A abrangência é tanta, que é possível até mesmo produzir os gráficos de tricô que são vistos nas revistas dedicadas a esse trabalho manual:

https://www.sys.kth.se/docs/texlive/texmf-dist/doc/fonts/knitting/knitting-doc.pdf

Outro ponto forte no Latex é o fato dele ser gratuito, o que possibilita que o usuário encontre programas sem ônus que trabalhem com Latex em diversos sistemas operacionais: Windows, Linux, Mac, etc. Já encontrei vagas em concurso público específicas para pessoas que dominam o Latex, o que demonstra o quanto esse programa é importante para a sociedade. Se você já criou algum texto em HTML antes (a linguagem para criar a página de um site, que atualmente está na sua versão 5), não terá tanta dificuldade para entender como o Latex funciona: assim como o HTML, primeiramente você deve escrever o código fonte do seu arquivo, que posteriormente será compilado para o resultado final (geralmente um arquivo PDF).

Vamos criar um exemplo bem simples para você entender melhor o Latex (este guia é feito para quem usa o sistema operacional Linux). Para isso, abra o seu editor favorito (pode ser até mesmo um editor que funcione em linha de comando, como o VI ou o Nano). Digite as seguintes linhas:

\documentclass[a4paper,10pt]{article}
\begin{document}
Bravo! Bravo! Bravo! O início do meu texto entra aqui!
\end{document}

Salve este texto com o nome de sua preferência, tomando o cuidado para não incluir acentos ou caracteres especiais. O formato do arquivo deve ser “. tex”. No nosso exemplo, vamos salvar o arquivo com o nome de “bravo.tex”. Abra um terminal e digite o comando latex seguido do nome do seu arquivo, e tecle enter:

[librarian@archlinux ~]$ latex bravo.tex

O sistema irá retornar algumas linhas como essas:

This is pdfTeX, Version 3.14159265-2.6-1.40.16 (TeX Live 2015/Arch Linux
restricted \write18 enabled.
entering extended mode
(./bravo.tex
LaTeX2e
Babel
patch level 2
and hyphenation patterns for 79 languages loaded.
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/article.cls
Document Class: article 2014/09/29 v1.4h Standard LaTeX document class
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/size10.clo))
No file bravo.aux.
1 )
(see the transcript file for additional information)
Output written on bravo.dvi (1 page, 284 bytes).
Transcript written on bravo.log.

Entre outras informações, o sistema nos informou o seguinte: Output written on bravo.dvi (o arquivo de saída foi salvo com o nome de bravo.dvi). Se você quiser, já pode visualizar seu arquivo bravo.dvi usando o Okular ou qualquer outro programa que abra arquivos neste
formato. Mas provavelmente você prefere que o seu artigo seja convertido para o formato PDF, não é mesmo? Para conseguir isso é muito simples: volte ao terminal e use o comando dvipdf:

[librarian@archlinux ~]$ dvipdf bravo.dvi

E pronto: seu arquivo foi transformado em um documento PDF. Simples, não?
Bem, agora que você já sabe o básico do Latex, posso finalmente abordar o Bibtex. Quem já usou o EndNote (e muitos outros programas semelhantes), já deve ter notado que o bibtex é um dos formatos suportados na hora de exportar suas referências, o que comprova a sua
popularidade no mercado. Vamos então conhecer um pouco mais sobre ele?

Uma base de dados de bibliografia feita em Bibtex é um arquivo de texto puro (plain text, em inglês), que deve ser salva com a extensão “.bib”. Vamos adicionar a primeira entrada ao nosso arquivo .bib? Então, abra novamente um editor qualquer e digite as seguintes linhas:

@article{Coyle2008,
author = {Coyle, Karen},
title = {Learning to Love Linux},
journal = {The Journal of Academic Librarianship},
year = {2008},
volume = {34},
number = {1},
pages = {72--73},
month = {jan}
}

Salve o texto acima com o nome de minhasreferencias.bib. Não é difícil entender a maneira como o bibtex arruma os dados de cada entrada. Em primeiro lugar, você tem o @article, que informa se tratar de um artigo. Se fosse @book, seria um livro, e assim por diante. Dentro das chaves, nós temos primeiramente o nome que você mesmo irá criar para referenciar esta entrada. Eu criei Coyle2008 pois usei o sobrenome da autora juntamente com o ano de publicação do artigo. Porém, eu poderia ter criado librarian123, C2008 ou qualquer outro nome. O importante é que você lembre desse nome que você criou na hora de incluir o comando cite no seu documento, como veremos mais adiante. Os campos seguintes são seguidos de um espaço, sinal de igual, espaço, o valor atribuído a ele entre chaves, e uma vírgula. O último elemento não precisa terminar com uma vírgula. Não esqueça de fechar tudo com a última chave: }.

Agora você precisa voltar lá no seu arquivo bravo.tex e incluir a chamada para a referência desejada, ou seja, incluir a tag \cite. Adicione também as tags \bibliographystyle{plain} e \bibliography{minhasreferencias.bib} antes de fechar o documento com a tag \end. O nosso documento de exemplo ficará assim:

\documentclass[a4paper,10pt]{article}
\begin{document}
Bravo! Bravo! Bravo! Estou iniciando o meu texto! Conforme alegou Coyle
\bibliographystyle{plain}
\bibliography{minhasreferencias.bib}
\end{document}

Se desejar treinar mais um pouco lendo outras referências em Bibtex, o Pubmed criou uma interface para o NCBI (National Center for Biotechnology Information) chamada “TeXMed – a BibTeX interface for PubMed” onde os resultados da busca trazem um link com o rótulo “bibtex”. Basta clicar nele que você verá o código fonte da referência. Eis o link:

http://www.bioinformatics.org/texmed/

Olha que legal: o Google Books também exporta as citações para o formato Bibtex. Primeiramente, digite o título desejado no campo da busca. Na lista dos resultados, clique naquele que lhe interessa. Abrirá então a página desse livro no Google Books. Agora clique no link “Sobre este livro”. Na página que abrir, desça até o final e procure por Exportar citação. Você verá três opções: a primeira é o Bibtex, a segunda é o EndNote e a terceira é RefMan.

Bem, agora vem a parte mais complicada: compilar o seu arquivo “.tex” juntamente com o arquivo “.bib” para gerar o seu documento no formato desejado. O primeiro passo é rodar o comando latex:

[librarian@archlinux ~]$ latex bravo.tex
This is pdfTeX, Version 3.14159265-2.6-1.40.16 (TeX Live 2015/Arch Linux
restricted \write18 enabled.
entering extended mode
(./bravo.tex
LaTeX2e
Babel
patch level 2
and hyphenation patterns for 79 languages loaded.
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/article.cls
Document Class: article 2014/09/29 v1.4h Standard LaTeX document class
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/size10.clo))
No file bravo.aux.
LaTeX Warning: Citation `Coyle2008' on page 1 undefined on input line 5.
No file bravo.bbl.
[1] (./bravo.aux)
LaTeX Warning: There were undefined references.
)
Output written on bravo.dvi (1 page, 428 bytes).
Transcript written on bravo.log.

Ele irá gerar 3 arquivos: bravo.aux, bravo.dvi, e bravo.log . Agora digite o comando bibtex com o arquivo .aux que foi gerado anteriormente:

[librarian@archlinux ~]$ bibtex bravo.aux
This is BibTeX, Version 0.99d (TeX Live 2015/Arch Linux)
The top-level auxiliary file: bravo.aux
The style file: plain.bst
Database file #1: minhasreferencias.bib.bib

Este comando irá gerar mais dois arquivos: bravo.bbl e bravo.blg . Agora, digite novamente o comando latex:

[librarian@archlinux ~]$ latex bravo.tex
This is pdfTeX, Version 3.14159265-2.6-1.40.16 (TeX Live 2015/Arch Linux
restricted \write18 enabled.
entering extended mode
(./bravo.tex
LaTeX2e
Babel
patch level 2
and hyphenation patterns for 79 languages loaded.
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/article.cls
Document Class: article 2014/09/29 v1.4h Standard LaTeX document class
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/size10.clo)) (./bravo.aux)
LaTeX Warning: Citation `Coyle2008' on page 1 undefined on input line 5.
(./bravo.bbl) [1] (./bravo.aux)
LaTeX Warning: There were undefined references.
LaTeX Warning: Label(s) may have changed. Rerun to get cross-references
)
Output written on bravo.dvi (1 page, 700 bytes).
Transcript written on bravo.log.

E para finalizar, digite o quarto comando, o latex, pela última vez:

[librarian@archlinux ~]$ latex bravo.tex
This is pdfTeX, Version 3.14159265-2.6-1.40.16 (TeX Live 2015/Arch Linux
restricted \write18 enabled.
entering extended mode
(./bravo.tex
LaTeX2e
Babel
patch level 2
and hyphenation patterns for 79 languages loaded.
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/article.cls
Document Class: article 2014/09/29 v1.4h Standard LaTeX document class
(/usr/share/texmf-dist/tex/latex/base/size10.clo)) (./bravo.aux) (./brav
[1] (./bravo.aux) )
Output written on bravo.dvi (1 page, 652 bytes).
Transcript written on bravo.log.

Note que você sempre usará o comando latex com o arquivo bravo.tex, nas 3 vezes. Apenas quando você for usar o comando bibtex é que você irá substituir esse arquivo pelo bravo.aux . A ordem na hora de digitar esses comandos também é importante e não pode ser mudada.

Relembrando:
1) primeiro vem o latex;
2) depois o bibtex;
3) depois o latex novamente;
4) e finaliza com mais um comando latex.
E relembrando: para converter o seu arquivo .dvi para PDF, digite:

[librarian@archlinux ~]$ dvipdf bravo.dvi

A curva de aprendizagem do bibtex pode ser um pouco demorada, mas as vantagens são muitas: um código fonte fácil de entender e manipular, a possibilidade de exportar suas referências para outros formatos, e principalmente, a aceitação desse padrão por muitas instituições. Mesmo que você não esteja planejando escrever seu artigo com o Latex, ainda assim é útil manter sua base bibliográfica em um arquivo bibtex. Por exemplo, você pode salvar o seu arquivo .bib na internet (na nuvem) e então, ir ao site http://bibbase.org e gerar um código em Java Script que servirá para você colá-lo em seu blog ou website. Este código irá gerar automaticamente uma lista com as suas referências. Veja um exemplo no link abaixo:

http://www.cs.toronto.edu/~fritz/

Você também pode incluir suas referências no editor Word (da Microsoft) usando um plugin chamado Bibtex4Word, ou o JabRef se o seu editor for o Libre Office.

Para que este texto não fique muito longo, eu o dividi em duas partes. A segunda parte deste artigo pode ser conferida aqui:

http://www.leituras.casa/blog/post/avancando-com-o-bibtex

Compartilhar: